Projeto eleva número de partos normais na rede Samp

A operadora de saúde está reduzindo a quantidade de cesarianas e aumentando os procedimentos naturais.

Desde 2004 a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vem trabalhando para promover o parto normal e reduzir o número de cesarianas desnecessárias. Entre as iniciativas, destacam-se a inclusão de cobertura obrigatória para parto acompanhado por enfermeira obstétrica e acompanhante (sem custos adicionais) durante pré-parto, parto e pós-parto imediato; e o projeto Parto Adequado, cuja finalidade é alterar o modelo de atenção a esse serviço, baseado nas melhores evidências científicas disponíveis. O projeto é desenvolvido em parceria com o Hospital Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), com apoio do Ministério da Saúde.

No Brasil, o percentual de cesáreas chega a 84,6% na saúde suplementar. Na rede pública, esse número é menor, de aproximadamente 40%. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15%.

Diante disso, para reverter essa situação, a Samp está promovendo uma série de ações. Segundo o ginecologista e gestor do setor de Ginecologia e Obstetrícia, Luiz Alberto Sobral Vieira Junior, a sala de parto na Clínica da Mulher foi adequada para facilitar o procedimento. “Também capacitamos a equipe multidisciplinar para que ficasse apta a orientar as futuras mães; modificamos o curso de gestante, incluindo várias informações sobre a segurança e os benefícios do parto normal, fazendo com que a escolha ocorra feita de forma consciente; e institucionalizamos o plano de parto, momento em que a mulher define com a enfermeira obstétrica como enfrentará a situação – se ela quer um acompanhante, qual tipo de analgesia (medicamentosa, com bola ou no banho), como vai ficar enquanto estiver em trabalho de parto (em pé, deitada, etc.)”, disse.

Ele completa afirmando que o parto é um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher e de sua família, por isso acredita que fornecer informações qualificadas ao público feminino, como os riscos que podem ser gerados em decorrência de um procedimento cirúrgico desnecessário, é primordial. “Em 2017, vamos aderir ao programa Parto Adequado, que conseguiu reduzir o número de cesáres em 10 mil, em apenas 18 meses.”

O médico explica que o parto normal começa muito antes da gravidez em si. “É necessária uma preparação minuciosa em alguns aspectos muito importantes, como saúde emocional e física, educação alimentar e eliminação dos hábitos insalubres.”

Sobral conta que é fundamental procurar um ginecologista para fazer exames prévios, atualizar as vacinas e se adequar ao novo momento. “Elas precisam ter alimentação equilibrada, tomar suplementos, praticar exercícios físicos e, no caso de serem portadoras de alguma doença crônica, consultar o especialista para encaixar a gravidez no seu quadro.”

O obstetra ressalta que fumar e ingerir bebida alcoólica não deve fazer parte do hábito de ninguém, muito menos das grávidas. “Tomando essas providências básicas, a mulher terá uma gravidez saudável, segura, que resultará num parto normal tranquilo e feliz. É evidente que há patologias próprias da gravidez que podem surgir no decorrer da gestação, mas tendo havido toda essa preparação, será muito menos complicado atravessar uma turbulência, se houver.”

De acordo com o especialista, a alimentação mais indicada para gestantes é aquela balanceada, com a maior quantidade de frutas e verduras possível, a fim de garantir um aporte de vitaminas e minerais para o binômio mamãe/bebê. Em relação às atividades físicas para gestantes, o educador físico Patrick Paraguassú explica que, em geral, são indicados exercícios de baixo impacto, como caminhada, pilates, hidroginástica e musculação – para fortificação da musculatura e das articulações. “Atividades funcionais para a região pélvica são fundamentais para o parto normal. Com a elevação do quadril, há a ativação do glúteo e o fortalecimento da região. No entanto, é necessário ter a liberação do médico ginecologista que acompanha a gestante e a orientação de um profissional de educação física”, avaliou.

 

ATENDIMENTO

A enfermeira obstétrica Nyckolly Machado, que integra a equipe multissetorial da Samp, explica que na Clínica da Mulher é realizado um acompanhamento diferenciado com as gestantes no setor de Medicina Preventiva (MedPrev) da instituição. “Trabalhamos por meio de consultas de enfermagem, nas quais a gestante tem a oportunidade de tirar todas as suas dúvidas a respeito de trabalho de parto, parto normal, amamentação e tecnologias não farmacológicas de alívio da dor, entre outros questionamentos, que ela sempre vai ter durante a gravidez. Também mostramos nosso espaço, onde ela ficará de trabalho de parto, e exemplificamos o que ela pode fazer dentro da clínica quando a hora do parto chegar. Dentro das consultas também realizamos o plano de parto, um instrumento que a gestante e seu acompanhante têm para mostrar à equipe que cuidará dela, suas escolhas e preferências. Essa ferramenta também traz empoderamento.

Além desse trabalho desenvolvido na gestação, a clínica disponibiliza um espaço próprio para receber a gestante, onde ela aguarda a evolução de seu trabalho de parto, pondo em prática tudo o que foi passado nas consultas.”

 

DESEJO

A pedagoga Mirian Gonzaga, que acaba de dar à luz sua primeira filha, Yasmim, conta que desde o começo da gestação já havia optado pelo parto normal, pois sabia que a recuperação é bem melhor. “O parto normal também é ótimo para a criança, fora que não há nenhum risco de infecção hospitalar nem para você nem para o bebê. Foi a melhor escolha que fiz para mim e para minha pequena Yasmim, meu bem mais precioso. As meninas da Clínica da Mulher foram uns amores, a

equipe médica foi maravilhosa, e tudo foi perfeito”, elogiou.

 

PROJETO PARTO ADEQUADO

  • O Parto Adequado, desenvolvido pela ANS,

pelo Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), com o apoio do Ministério da Saúde, tem o objetivo de identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e ao nascimento, que valorizem o parto normal e reduzam o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar. Essa iniciativa visa ainda a oferecer às mulheres e aos bebês o cuidado certo, na hora certa, ao longo da gestação, durante todo o trabalho de parto e pós-parto, considerando a estrutura e o preparo da equipe multiprofissional, a medicina baseada em evidência e as condições socioculturais e afetivas da gestante e da família.

  • Vinte e dois hospitais privados e quatro maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) fazem parte do grupo piloto. Seis hospitais privados formam o grupo de seguidores, com acesso aos materiais, monitoramento dos resultados e encontros presenciais com técnicos da ANS. Três hospitais participam do projeto como colaboradores, compartilhando experiências já iniciadas com os demais envolvidos.

Dezenove operadoras de planos de saúde apoiam a iniciativa.

  • No Brasil, a taxa de cesarianas na saúde privada é de 84%, e na saúde pública chega a 40%.
  • Quando não tem indicação médica, a cesárea aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe.
  • Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.
  • Quarenta e dois hospitais e maternidades privados de todo o Brasil fizeram inscrição para participar do projeto-piloto.
  • Com a aplicação dessa metodologia, experiências anteriores apontaram crescimento de partos normais de 20% para 55% e redução das entradas em UTI neonatal de 155 para 46 em cada mil nascidos vivos..

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